Por Esdras Dantas de Souza --- Direitos da maternidade na advocacia ainda enfrentam resistência, apesar de previsão legal expressa ---- Em pleno século XXI, ainda há advogadas que precisam justificar o óbvio: o direito de exercer a profissão sem abrir mão da maternidade. Apesar de garantias legais claras, situações constrangedoras e desrespeitosas continuam ocorrendo diariamente em fóruns e tribunais do país. E isso revela um problema que vai além da advocacia feminina — atinge diretamente o próprio Estado de Direito. A lei existe — mas nem sempre é respeitada A Lei nº 13.363/2016 trouxe um avanço importante ao incluir o art. 7º-A no Estatuto da Advocacia, reconhecendo direitos específicos das advogadas gestantes, lactantes, adotantes ou que deram à luz. Entre esses direitos, destacam-se: entrada em tribunais sem submissão a detectores de metais ou raios X reserva de vagas em estacionamentos de fóruns acesso a creche ou espaço adequad...
A banalização da litigância de má-fé contra advogados. Quando a punição indevida ameaça a independência da advocacia
Por Esdras Dantas de Souza - Presidente da ABA ---- Abertura: um alerta que não pode ser ignorado --- Nos últimos anos, um fenômeno preocupante tem ganhado espaço no cenário jurídico brasileiro: a aplicação cada vez mais frequente — e, em alguns casos, indiscriminada — da litigância de má-fé contra advogados. O que deveria ser um instrumento excepcional, voltado a coibir abusos reais, passa a ser utilizado, por vezes, como mecanismo de intimidação. E isso representa um risco sério: o enfraquecimento da atuação combativa e independente da advocacia. O desvio de finalidade de um instituto legítimo A litigância de má-fé tem previsão legal e finalidade clara: evitar condutas processuais desleais, abusivas ou fraudulentas. No entanto, quando aplicada sem o devido critério, ela deixa de cumprir esse papel e passa a gerar efeitos contrários ao sistema de Justiça. Na prática, observa-se: enquadramento precipitado de teses jurídic...