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Prerrogativas não são privilégios — são garantias do cidadão



Por Esdras Dantas de Souza  ---- 

Quando a advocacia é respeitada, quem ganha é a Justiça — e quem perde é o abuso

Existe uma frase que ainda ecoa, de forma equivocada, em muitos ambientes:
“Advogado tem muitos privilégios.”

Essa ideia, além de imprecisa, revela um desconhecimento perigoso sobre o papel da advocacia no sistema de Justiça.

Porque, na prática, quando se fala em prerrogativas, não se está protegendo o advogado.
Está-se protegendo o cidadão.

 

O que são, de fato, as prerrogativas

Prerrogativas não são vantagens pessoais.
Não são benefícios individuais.
Não são privilégios corporativos.

São instrumentos de trabalho.

Garantias legais que permitem ao advogado atuar com independência, liberdade e segurança na defesa de quem representa.

Sem elas, o advogado não consegue:

  • exercer plenamente o direito de defesa
  • questionar ilegalidades
  • enfrentar abusos de autoridade
  • equilibrar a relação entre o cidadão e o poder

E sem defesa efetiva… não existe Justiça.

 

O perigo da distorção

Quando prerrogativas são tratadas como privilégios, abre-se espaço para algo muito mais grave: a sua relativização.

E quando isso acontece:

  • o advogado é interrompido
  • seu acesso é limitado
  • sua atuação é constrangida
  • sua voz perde força

Parece um detalhe.

Mas não é.

É o início de um processo de enfraquecimento do próprio sistema de garantias.

 

Quem perde quando o advogado é limitado

Há uma pergunta simples que precisa ser feita:

Se o advogado não pode atuar com liberdade… quem perde?

A resposta é direta: o cidadão.

Porque é o advogado quem:

  • sustenta a defesa técnica
  • questiona decisões
  • garante o contraditório
  • evita abusos

Um advogado limitado não consegue proteger plenamente seu cliente.

E um cidadão sem proteção jurídica adequada…
fica vulnerável.

 

A realidade da advocacia exige posicionamento

O cenário atual da advocacia traz um desafio adicional.

Além das dificuldades de mercado — como concorrência elevada, invisibilidade profissional e desvalorização — muitos advogados ainda precisam lidar com obstáculos institucionais ao exercício da profissão.

Isso exige mais do que conhecimento técnico.

Exige:

  • posicionamento firme
  • consciência institucional
  • valorização da própria atuação
  • união da classe

O advogado que não compreende o valor das suas prerrogativas acaba contribuindo, ainda que involuntariamente, para sua própria desvalorização.

 

Prerrogativas sustentam o Estado de Direito

A Constituição Federal reconhece o advogado como indispensável à administração da Justiça.

Isso significa que sua atuação não é opcional.
É estrutural.

As prerrogativas existem exatamente para garantir que essa atuação ocorra de forma plena.

Sem elas:

  • o contraditório enfraquece
  • a ampla defesa se torna formal
  • o equilíbrio processual desaparece
  • o poder deixa de ser controlado

E onde não há controle… há risco.

 

Conclusão

Prerrogativas não são privilégios.

São garantias fundamentais que protegem o cidadão contra abusos e asseguram o funcionamento legítimo da Justiça.

Toda vez que uma prerrogativa é desrespeitada, não é apenas o advogado que perde espaço.

É o direito que perde força.
É a Justiça que perde equilíbrio.
É o cidadão que perde proteção.

 

Esdras Dantas de Souza
Advogado, Professor e Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)
www.abanacional.com.br

Série: Artigos publicados entre os membros da ABA, para o seu aperfeiçoamento.

 


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