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Quando as instituições enfraquecem, o cidadão paga o preço

 


Por Esdras Dantas de Souza 

Crise de confiança ameaça o Estado de Direito e exige reação da advocacia

Abertura (gancho forte)

A democracia não costuma ruir de forma abrupta.
Ela se desgasta em silêncio — na desconfiança, na omissão e na indiferença.

E quando isso acontece, quem paga o preço não é o poder.
É o cidadão.

 

O desgaste silencioso das instituições

Nos últimos anos, o Brasil tem assistido a um fenômeno preocupante: o enfraquecimento gradual da confiança nas instituições.

Judiciário, Legislativo, Executivo — todos, em maior ou menor grau, têm sido alvos de críticas constantes, muitas vezes legítimas, outras vezes impulsionadas por narrativas superficiais ou interesses ocultos.

O problema não está na crítica.
A crítica é saudável, necessária e própria da democracia.

O risco começa quando a crítica deixa de ser instrumento de aperfeiçoamento e passa a ser ferramenta de destruição.

Quando a sociedade deixa de acreditar nas instituições, abre-se um vazio perigoso.
E onde há vazio institucional, há espaço para arbitrariedade.

 

Estado de Direito: mais do que uma expressão jurídica

O chamado Estado Democrático de Direito não é apenas um conceito técnico previsto na Constituição.

Ele representa um pacto social:
o compromisso de que ninguém estará acima da lei — e de que todos estarão protegidos por ela.

Mas esse pacto depende de um elemento essencial: confiança.

Sem confiança:

  • decisões judiciais perdem legitimidade
  • leis deixam de ser respeitadas
  • autoridades passam a ser vistas com suspeita permanente

E, nesse cenário, a insegurança jurídica deixa de ser uma teoria… e passa a ser uma realidade cotidiana.

 

O papel do advogado nesse cenário

Diante desse contexto, o advogado não pode ser um espectador.

A advocacia é, por essência, uma função de equilíbrio.
Ela atua como ponte entre o cidadão e o poder.

Quando as instituições falham, é o advogado que sustenta o direito.
Quando há abuso, é o advogado que reage.
Quando há silêncio, é o advogado que fala.

Mais do que defender interesses individuais, o advogado exerce uma missão institucional.

Defender direitos é, também, defender o próprio funcionamento da democracia.

 

O perigo da normalização do descrédito

Talvez o maior risco que enfrentamos hoje não seja o ataque às instituições.

Seja a sua normalização.

Quando frases como “não adianta recorrer”, “a justiça não funciona” ou “tudo é político” passam a ser aceitas como verdades absolutas, algo grave está acontecendo.

Porque, nesse momento, o problema deixa de ser institucional… e passa a ser cultural.

E uma cultura de descrédito é muito mais difícil de reconstruir do que uma instituição falha.

 

A responsabilidade de preservar o sistema

Defender instituições não significa ignorar seus erros.

Significa compreendê-las como estruturas indispensáveis para a convivência em sociedade.

Sem Judiciário, não há solução de conflitos.
Sem Legislativo, não há produção legítima de normas.
Sem Executivo, não há execução de políticas públicas.

E sem equilíbrio entre esses poderes, não há democracia — há concentração.

 

O caminho possível

O fortalecimento das instituições passa por três pilares:

  • Responsabilidade pública: autoridades devem prestar contas
  • Participação consciente: a sociedade precisa se envolver com maturidade
  • Atuação firme da advocacia: como voz técnica, ética e independente

O advogado tem um papel estratégico nesse processo:
traduzir o Direito, esclarecer a sociedade e atuar com firmeza na defesa das garantias fundamentais.

 

Conclusão (fechamento forte e memorável)

A história mostra que nenhuma sociedade permanece estável quando suas instituições são desacreditadas.

O Estado Democrático de Direito não se sustenta apenas em leis.
Ele se sustenta na confiança de que essas leis serão respeitadas.

E essa confiança precisa ser defendida todos os dias.

Especialmente por aqueles que compreenderam o verdadeiro significado da advocacia.

Defender o Estado Democrático de Direito não é um posicionamento ideológico.
É um compromisso profissional — e moral — de todo advogado que entende a dimensão da sua missão.

 

Esdras Dantas de Souza
Advogado, Professor e Presidente da Associação Brasileira de Advogados (ABA)
🌐 www.abanacional.com.br

 

Este artigo integra o conteúdo dos treinamentos ministrados pelo autor na Associação Brasileira de Advogados (ABA), refletindo sua experiência acadêmica e prática na formação dos associados. 


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